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A solidariedade é o antidoto da indiferença

Conceição Cinti* - 13/07/2017
O constrangimento a que foi exposto o ator Fábio Assunção, num momento de total vulnerabilidade, ilustra bem o grau de insensibilidade que estamos vivenciando. Lamentavelmente, vejo isso com muita frequência no meio da sociedade e também no meio da família, é preciso uma reflexão.

Nós humanos estamos perdendo muito da nossa essência. Estamos nos costumando com a indiferença. Como se ignorarmos o drama do próximo, nos fosse ser de alguma utilidade. Triste engano!

Já percorri algumas milhas ao lado de pessoas vitimadas pelo álcool e por outras substâncias químicas. As pessoas não se tornam dependentes por querer; ou não permanecem dependentes por querer. Quem lida nessa área sabe que há toda uma história de vida, que de alguma forma pesa sobre um (a) dependente. Também é preciso abandonar toda espécie de julgamento. As pessoas sóbrias são muito soberbas, e se arvoram na condição de juiz. Pior, desprovidos de qualquer resquício de compaixão e ética, se tornam detentores do direito de esculhambar, e detonar o dependente químico.

Muita covardia dos sóbrios! Porque expor alguém sem condições de ampla defesa é fácil, mas próprio do fraco. E seria de se perguntar: Se você se presta a presenciar fatos tão deploráveis na vida de um ser humano, e, ao invés de lamentar, orar, fazer alguma coisa que possa ajudar esse alguém a se levantar, você aproveita para gravar e comentar numa rede social. Que espécie de gente você se tornou? Não seria você alguém tão vazio que viciou-se em expor a miséria alheia? Não seria você também alguém enfermo (do caráter) necessitado, miserável, insensível, e carecendo tanto quanto a pessoa que expõe?

A Internet foi sim uma das coisas boas que surgiu. Mas como tudo na vida precisa ser usada com prudência, e nessa área, a moderação é que irá dar o tom da sanidade.

Os extremos quase sempre trazem prejuízos. Vejo alguns apenas demonizando a internet. E de fato é preciso termos cuidado, mas há muita coisa boa para ser comemorada. Tudo vai depender de cada usuário, das famílias dos usuários menores.

Perceba que a internet é um instrumento de alcance inimaginável, e através dela você poderá abençoar vidas. Pense nisso!

Nunca fale para alguém que ele é um bêbado, um drogado. Ele sabe de sua condição. Ele está imobilizado pelo vício, ele precisa é de um braço forte para arrancá-lo de lá. Tudo que um dependente não precisa é da sua língua maligna para amargurá-lo ainda mais.

Seja boca abençoadora, e não amaldiçoadora. Muitos pensam que um (a) alcoólatra, um dependente químico, não sente vergonha da sua condição. Sente sim. Sente muito. Ele não precisa que ninguém declare o que ele já sabe, ela não precisa da sua acusação. Uma acusação a mais, nada irá fazer por ele, que não seja amargurá-lo mais ainda.

Um alcoólatra, um dependente químico, tem caráter sim. Não tem é força para lutar o próximo Roud sem ajuda. Seja canal de benção e não de maldição. Conheci e continuo a conhecer pessoas lindas de alma, lindas por dentro, no meio do lixo, das cracolândias da vida. Aprendi muito com eles (elas) e muito do que sou devo a esse aprendizado com o diferente. Esse aprendizado me faz e me deixa do tamanho que deve ser cada ser humano. E qual é esse tamanho? Penso que do tamanho do Senhor Jesus: O de servo, e serva. A vida é linda, e sem perdermos de vista tudo que Deus nos concede materialmente, podemos e devemos dividir com o próximo tudo que temos e somos. Há muita cura nessa divisão. Experimente!

*Advogada e educadora. Precursora da Educação Restaurativa, com experiência de mais de três décadas em tratamento de dependentes de substâncias psicoativas e em delinquência juvenil. Palestrante e autora do blog http://educacaorestaurativa.blogspot.com.br/

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