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30 anos de Tocantins: venci, apesar de tudo – Por Sérgio Nunnes

Sérgio Nunnes* - 16/10/2018

“A residência era um casarão de palha, com paredes de adobe e piso de terra batida; água de cisterna, fogão à lenha, privada no fundo do quintal e lavagem de roupas no brejo Cunhãs, a mais ou menos dois quilômetros da cidade.”

No último dia 05/10 o Estado do Tocantins completou 30 anos, afastando-se um pouco mais da realidade que um dia assombrou a quase totalidade das famílias que, por amor, teimosia, coragem, determinismo ou tudo isso aglutinado, sobreviviam no então órfão norte de Goiás.

Acima, encontra-se um pequeno trecho do livro “A trajetória de um vencedor”, do escritor Carvílio Soares Marinho. Após sua leitura é possível deduzir que, se hoje algumas regiões do Tocantins ainda são desassistidas, estando o poder público ausente, obrigando pais, mães e famílias inteiras a viverem agarrando-se nas migalhas que lhes oferecem a vida, em sua tenra idade e juventude, o autor precisou valer-se de fé incomum a fim de sobreviver, pois a realidade que o envolvia era ainda mais desoladora.

Nos municípios menores não haviam escolas, hospitais, rodovias, segurança, obrigando os filhos do sertanejo tocantinense a se ver numa encruzilhada: caso desejasse desfrutar de dias melhores e garantir um pouco mais do mínimo necessário à existência dos seus, teria que superar o pavor causado pela desconhecida cidade grande, enfrentando o incômodo da distância, lançando-se numa aventura muitas vezes sem volta.

Carvílio Soares Marinho superou as melhores expectativas a seu respeito, tornando-se, à base de intenso labor, regado por fé que beirava à teimosia, um oficial da Polícia Militar do Tocantins, tendo desbravado os rincões do recém-criado estado.

Como ele, nesses 30 anos de criação do Tocantins e mais de dois séculos de história separatista, muitos outros desbravadores, homens e mulheres tiveram que reunir forças onde eram escassas, sonhar onde poucos ousavam a fim de transformar seu próprio existir, tornando-se autores dele e não vítimas.

Carvílio Soares Marinho é mais que um sobrevivente, é um herói de si mesmo, pois, venceu apesar de tudo e no último dia 10/10, exatamente 05 dias depois do Tocantins completar três décadas de criação, ele e este colunista que vos escreve, foram coroados com uma das maiores honrarias para aqueles que são operários das letras. Eles foram empossados na Academia de Letras dos Militares Estaduais do Brasil e DF – ALMEBRAS. A ALMEBRAS reúne os principais nomes nacionais das letras militares, tratando-se de organização voltada à difusão, produção e incentivo à cultura.

Ao Tocantins, ao agora, confrade Carvílio, nossos cumprimentos e desejo de anos felizes e prósperos.

 


[1] Possui Pós-Graduação Lato Sensu em Direito Constitucional, com Formação para o Magistério Superior na área do Direito, Bacharel em Direito, Professor Universitário, Autor de obras jurídicas, Palestrante, Consultor Jurídico, titular da cadeira 17 da Academia de Letras dos Militares Estaduais do Brasil e do DF e 1º Tenente da Polícia Militar do Tocantins.

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